O Estágio I trouxe a oportunidade de re-avaliarmos nossa prática docente,
ao mesmo tempo em que reconstruímos essa prática em outros
paradigmas conceituais, teóricos e práticos, com nossos mapeamentos e
cartografias, bem como nossas metáforas conceituais. Para muitos de nós,
foi a oportunidade de termos as primeiras aproximações investigativas
com espaços educativos, escolas, salas de aulas. Isso pode ter se tornado
ainda mais desafiante também por termos uma orientação voltada para
tais paradigmas conceituais, interacionistas, e com abordagens chamadas
ideográficas - muito diferentes do que, em geral, fomos formados.
Tivemos a oportunidade de refletir sobre rotinas, conflitos e saberes
pedagógicos e realizamos nossa primeira intervenção pedagógica nesse
curso, em um espaço de educação formal. Planejamos nossas ‘vidas’ na
escola com a construção de nossos planos de ação / cronogramas. Observamos,
vivenciamos, para depois idealizarmos nossas oficinas: sonhamos!
levando-nos à instrumentalizações para sonhos mais reais.
planejamos e replanejamos, sistematicamente, nossa ação
pedagógica, para depois, desenvolvê-la, e... Avaliamos alguns de forma individual, outros em grupos, mas todos amparados
de alguma forma, pela turma toda e pela equipe de professores.
O desenvolvimento da disciplina e os relatórios finais, de uma forma geral,
demonstram as efetivas construções de conhecimentos e percepções.
Estágio Supervisionado 3 é ampliarmos a experiência
de estágio para além dos muros da escola tomando a cidade como
referência para a elaboração de projetos de ação educativa.
buscamos uma abordagem integral para nossos
crescimentos: construímos nossas aprendizagens e nossas percepções tanto
pela via de nossos sentidos diretos quanto pela via de nossas reflexões.
03= A cidade educativa: seus lugares, seus habitantes, seus ofícios, sua cultura
Iniciamos nossa conversa, com este trecho do poema de Fernando Pessoa,
no heterônimo de Alberto Caieiro. O desafio é olhar para a cidade de
uma maneira diferente, nesse sentido trazido pelo poeta - olhar daquele
que acaba de chegar, de quem acaba de nascer para a eterna novidade
cotidiano, no dia a dia. Pensar a cidade enquanto um organismo vivo, dinâmico,
que trás uma história construída ao longo dos tempos, uma história feita pelos seus habitantes, cada um com
suas relações, suas profissões, seus ofícios, sua cultura; a cidade formada,
por seus lugares; físicos, afetivos, simbólicos.
Cavalcanti (2001, p. 16), pensar a cidade
é pensar também em lógicas não capitalistas, pré-capitalistas; é pensar na cidade como obra; é, pensando a cidade centralizada na lógica da produção
capitalista, pensar também nos interstícios e nas contradições espaciais, nas desconstruções e (re) territorializações.
a racionalidade do modo de produção capitalista,
consideramos também as contra-racionalidades, pois
Ante a racionalidade dominante, desejosa de tudo conquistar, pode-se de um ponto de vista dos
autores não beneficiados, falar de irracionalidade, isto é, de produção deliberada de situações não razoáveis.
A efetivação da cidade como educadora se constitui na resistência à tendência de práticas individualistas na cidade.
Defender um projeto de cidades educadoras é realçar seu caráter de agente formadora, sua dimensão educativa. Todas as cidades educam, à medida que a relação do sujeito, do habitante, com esse espaço é de interação ativa.
Lembrar do conceito de cultura com o qual estamos trabalhando. A cultura diz respeito a todos os fazeres, saberes e viveres pelos quais as pessoas se constituem em seus lugares, nas suas cidades, nas suas terras. A cultura diz respeito às diferentes maneiras como as pessoas trabalham, produzem, pensam as mais diferentes profissões/ações que compõem a vida da sua cidade – a sua dinâmica, as particularidades de cada bairro.
Compreender a cidade como um lugar que abriga, produz e reproduz culturas.
A compreensão da cidade como produção, fundada em racionalidade e contra-racionalidades leva-nos a uma perspectiva favorável a uma educação para a vida, e para uma vida melhor.
04- Imagens : (des )construções - Proposta para um passeio etnográfico
Ver a cidade constitui-se ainda uma experiência corporal. O corpo também está atento à violência, aos sinais de trânsito, ao asfalto quente, ao verde. Ele é
tanto entidade formuladora de imagens quanto elemento constitutivo da imagem, pois é parte integrante
da paisagem urbana.
Frequentemente, a arte que existe em nossa vida cotidiana é invisível.
No entanto, quando a arte local é interpretada a partir do seu contexto, essa
interpretação aciona não só uma maior compreensão da arte em si, mas
também uma análise crítica do sistema de produção e dos valores nela refletidos.
A noção de perturbamento no familiar
05- Orientações e ferramentas para levar nesse passeio
Para esse passeio, será necessário uma câmera fotográfica ou filmadora,
bloquinhos de anotações, e cuidados com a hidratação da pele, água, etc.
A curiosidade e esse olhar indagador, disposto a descobrir coisas mesmo nos lugares que você julga que já conhece!
Você pode pensar que “ver de novo” seja igual a “rever”. No entanto, rever não é ver a mesma coisa duas vezes, é lançar um novo olhar sobre uma
mesmo coisa ou situação. O olhar que não se renova envelhece.
Exercitemos, então, um novo olhar para essa cidade, um olhar poderoso,
desconstruidor de discursos caracterizadores e imagens construídas, em
busca de visualidades, territorialidades, espacialidades, em uma perspectiva
multicultural crítica.
Exercitemos, então, um novo olhar para essa cidade, um olhar poderoso,
desconstruidor de discursos caracterizadores e imagens construídas, em
busca de visualidades, territorialidades, espacialidades, em uma perspectiva
multicultural crítica.
Toda cidade forma, todas elas educam, pois todas são resultados de um
processo cultural, histórico e social. As pessoas não se juntam, organizam-se num determinado lugar despretensiosamente! Nesse sentido, toda cidade
pode ser educadora, pois ela fala de cada um de nós e do outro com o qual
ajudamos a formar!
Assim, propomos esse olhar sobre a cidade: buscando descobrir em cada
um a cidade que habita, que foi se construindo ao longo dos tempos e que,
podem representar a possibilidade de ir consolidando um olhar mais apurado - olhar crítico e mais sensível para o contexto e o meio ambiente.
A transição de um olhar indiferente rumo a um olhar reflexivo, olhar que pergunta, olhar que indaga. diz Carlos Brandão (2002), sobre sua imersão em campos de pesquisa:
Quando eu chego na comunidade, num primeiro momento, como disse a vocês, não vou diretamente às pessoas com quem quero trabalhar. [...] Eu procuro ir contactando pessoas a esmo. O dono de um bar, a pessoa que está me acolhendo na sua casa, pessoas que eu encontro na rua, e assim por diante. [...] então, isso é uma porta de entrada, entrar por aí. (p. 24)
Faça anotações, desenhos, esquemas, fotografe, registre as conversas estabelecidas, as entrevistas, as observações. Exercício etnográfico feito desse outro lugar da cidade, pois o que queremos é acentuar as instâncias educadoras da vida na cidade, seus moradores, seus saberes, seus ofícios... E não importa se eles estão organizados ou não, pois todos fazem parte da sua cidade. Aqui pensamos a cidade enquanto uma confluência de práticas culturais, formando essa grande paisagem.
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